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Park City - montanha superlativa

05/02/2019

Uma das neves de maior qualidade do mundo somada à ótima gastronomia e hotelaria, boas galerias de arte e um legado olímpico fazem da pequena Park City, em Utah, muito mais do que a maior estação de esportes de inverno dos Estados Unidos


Por Felipe Mortara*. Especial para a The Traveller

 

Pistas, pistas e mais pistas. Parece exagero? Ora, vamos aos números: são 348 delas, acessadas por 41 meios de elevação. Sim, estamos na maior estação de esportes de inverno dos Estados Unidos. Colorado, Califórnia? Nada disso. A pequena cidade de Park City fica no discreto, porém belíssimo, Estado de Utah. A 1h45 de voo de Los Angeles ou 2h45 de Dallas, principais conexões para rotas direto do Brasil. De Salt Lake City são mais 35 minutos até o seu hotel. Com o perdão do exagero, é logo ali. Embora seja um destino muito querido por amantes do trekking, do ciclismo e das cavalgadas no verão, é durante o inverno que Park City desabrocha. E aflora de maneira gelada e branca, na forma de uma das neves mais cobiçadas do mundo. A salinidade do famoso lago de Salt Lake City cria uma condição peculiar de umidade, equilibrando os padrões de chuva na região e faz com que a neve de Park City mantenha-se numa consistência perfeita – o chamado powder.

Desde 2016, depois de um investimento de US$ 50 milhões do grupo Vail Resorts na união das estações de Park City e Canyons, esta é a maior área esquiável do país. Oferece um sem-fim de pistas pretas para os mais experientes, mas a grande sacada é que a proporção de pistas para aprendizes e intermediários chega a 50%. Além disso, uma nova área de iniciantes será inaugurada nesta temporada nos arredores de High Meadow.

Assim, Park City é perfeita para evoluir no esporte, seja no esqui ou no snowboard. Mas também oferece atrações fora da neve, a começar pela charmosa cidadezinha de nove mil habitantes. Em meados de 1860, uma corrida por jazidas de prata na região transformou milhares de americanos em garimpeiros. Após render mais de US$ 400 milhões e tornar alguns deles milionários, o minério teve forte queda em seu preço nos anos 1930, o que ajudou a esvaziar a região. Foi só nos idos de 1946, com a inauguração da primeira pista oficial, que os esquiadores descobriram a qualidade de sua neve. Daí a fama se espalhou e o resto é história.

O legado são casinhas de tijolinho aparente na Main Street, que concentra grande parte dos 64 edifícios de Park City tombados pelo patrimônio nacional americano. Hoje grande parte deles abriga ótimos restaurantes, galerias, lojas de souvenir e antiquários. Para compras de eletrônicos e roupas de marca, rume ao Tanger Outlet, a 15 quilômetros de distância. Num dia de descanso para as pernas, essas são algumas boas opções de atividades. Além do esqui e das compras, o cinema também ajuda a entender o passado e o presente de Park City. Desde 1984, o ator Robert Redford organiza o aclamado Festival de Sundance. Sempre entre o fim de janeiro e fevereiro, a nata dos produtores e atores se encontra para um dos mais prestigiados eventos do cinema alternativo. Mas se os preços dos hotéis vão às alturas, por outro lado, as pistas ficam mais vazias.

Por sinal, você pode ir esquiando de Park City Base Area até Canyons Village, principais pontos de partida dos teleféricos, mas também por meio de ônibus elétricos gratuitos. Estas duas zonas também reúnem centrinhos com farta oferta de hospedagem e restaurantes.

A gastronomia é outro ponto alto de Park City e a cultura de carne de caça é muito presente nos menus. Entre as mais de 100 opções de restaurantes, algumas se destacam. Eleito um dos 50 melhores restaurantes dos Estados Unidos há alguns anos, o Riverhorse on Main serve experiências surpreendentes como bifes de búfalo, alce e bisão acompanhados por frutas vermelhas, cogumelos selvagens e polenta.

Sob o conceito “da fazenda para o prato”, o The Farm propõe pratos para agradar tanto vegetarianos como carnívoros – um bom exemplo é o spätzle com ervas, queijo emmental, trufas e cebola caramelizada. Uma vez desvendadas as particularidades de Park City, os esquiadores mais fissurados podem descobrir o resort vizinho de Deer Valley, a 2,5 quilômetros. Com restrições no número de pessoas nos lifts e filas quase inexistentes, é exclusividade pura. Os 21 meios de elevação levam a 101 pistas, sendo boa parte delas de nível iniciante e intermediário. Claro, os mais experientes contam com ótimas pistas pretas nas extremidades da montanha. Snowboards não são permitidos por lá. 

Outra parada a ser considerada é no Parque Olímpico, palco dos Jogos de Inverno de 2002. Aproveite uma das raras chances da vida de descer a bordo de um bobsled, trenó futurista que atinge velocidades de até 120km/h nas curvas – sim, aquele do filme Jamaica Abaixo de Zero (1993). Ou então, descubra como é varrer o gelo para que o disco do curling chegue o mais próximo possível do alvo. Outra imersão nas tradições de inverno é um passeio de trenó puxado por cães. Há bons circuitos de caminhada com raquetes de neve nos bosques de Wasatch Mountains. Mas a novidade deste inverno é um circuito de tirolesa com sete paradas a 50 metros do chão, atingindo até 60km/h. Ou seja, com ou sem esquis no pés, Park City é uma fartura de sensações.

 

Quando ir
Dezembro a abril. Esta é a época da temporada de inverno no Hemisfério Norte, quando as estações de esqui norte-americanas recebem visitantes do mundo inteiro. 

 

* Felipe Mortara é jornalista e assíduo colaborador da revista The Traveller. Viajante desde sempre, que detesta planilhas e adora bloquinhos, o jornalista é mestre em Administração pela PUC-SP e foi reporter do caderno Viagem do jornal O Estado de São Paulo. 

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