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Polônia: protagonista no Leste Europeu

05/07/2019

Com um passado conturbado, marcado por guerras e um dos capítulos mais infames da História moderna, a Polônia também é uma relíquia cultural na Europa, terra de Chopin, Copérnico e da linda Cracóvia

Por Marcel Vincenti*. Especial para a Teresa Perez. 

 

Não são muitos os países que têm uma história tão conturbada e marcante como a Polônia. Com seu território inserido, quase desde sempre, entre potências de ímpeto dominador, essa nação do Leste Europeu chegou a desaparecer no século 18, quando Rússia, Prússia e Áustria a conquistaram completamente. No século 20, o país esteve no epicentro da Segunda Guerra Mundial, com cidades quase totalmente destruídas por bombardeios aéreos e com a instalação, em seu território, de infames campos de concentração do regime nazista. Porém, mesmo exibindo algumas cicatrizes do passado, a Polônia é, hoje, um lugar onde podemos testemunhar um presente cercado por instigantes paisagens históricas e, ao mesmo tempo, conhecer um país que se move em direção ao futuro.

Na surpreendete Cracóvia, a arquitetura é um dos destaques como na Basílica de Santa Maria

Cracóvia
Das principais cidades polonesas, Cracóvia talvez seja a mais surpreendente. Poupado dos bombardeios alemães na guerra, o seu belo centro histórico (chamado de stare miasto), exibe atrativos como a Rynek Glowny (uma das maiores praças medievais da Europa), por onde se espalham monumentos do porte da gótica Basílica de Santa Maria e a pequena e intimista Igreja de São Adalberto, com quase mil anos. Na stare miasto também aparece o Rio Vístula, que passa ao lado de belos parques e compõe paisagem com o complexo Wawel, antigo quartel-general dos reis da Polônia e que abriga edificações barrocas, góticas e renascentistas. A mais importante delas é o Castelo Real, com luxuosos cômodos abertos a visitas e localizado ao lado da Real Catedral Basílica dos Santos Estanislau e Venceslau, onde estão restos mortais de monarcas poloneses, como Sigismundo I, que, no século 16, colocou sua nação na rota das ideias do Renascimento. Ao circular por Cracóvia, é possível seguir os passos de Nicolau Copérnico, o astrônomo que estudou na cidade e que, nesse mesmo século 16, tirou a Terra do centro do universo. Também cruzamos com imagens de João Paulo II, o homem que buscou manter o catolicismo no centro do mundo e que foi arcebispo da cidade. Essa tradição e influência cristã pode ser notada nas várias igrejas da cidade.

Noite movimentada
Mas o vinho das missas divide espaço com a excelente vodca polonesa, abundante nos bares frequentados pela numerosa população de universitários que vive aqui. Reduto judeu antes da Segunda Guerra, o bairro de Kazimierz é atualmente um polo de repúblicas estudantis e destaque entre os boêmios em Cracóvia. Para quem gosta de festa, vale a pena fazer um passeio noturno pela área, entrar em algum bar e interagir com os locais: grite “zdrowie” (“saúde”, em polonês, antes de brindar com eles). Não será difícil encontrar um certo otimismo entre a população mais jovem: integrada à União Europeia (mas sem ainda usar o euro como moeda corrente), a Polônia tem crescido economicamente nos últimos anos e vem se modernizando. Mas não convém dar as costas ao passado: em Cracóvia, vale a pena organizar uma viagem (que dura menos de duas horas) para o complexo de campos de concentração Auschwitz-Birkenau, onde é possível entender os horrores do nazismo e do Holocausto.

O casario colorido da Praça Rynek Starego Miasta, em Varsóvia

Varsóvia
Pouco menos de 300 quilômetros separam Cracóvia da capital da Polônia, Varsóvia. A cidade, que tem suas origens ligadas à Idade Média, já foi ocupada por suecos, russos, aglutinada ao Império Francês de Napoleão, e exibe cartões-postais como a Praça Plac Zamkowy, o Castelo Real (com uma história que remonta ao século 13) e a fotogênica Praça Rynek Starego Miasta, onde fica o Museu de Varsóvia, um ótimo lugar para mergulhar no rico e, ao mesmo tempo, tumultuado passado da cidade. Varsóvia foi a cidade polonesa que mais sofreu durante o conflito mundial entre 1939 e 1945, e foi praticamente destruída pelas tropas de Hitler. Renascida das cinzas, hoje é uma metrópole colorida e movimentada. Para não perder o teor cultural e religioso da jornada, o Museu Chopin, que conta com uma exposição magnífica sobre o mais famoso músico polonês, e a Catedral de São João, uma linda edificação gótica do século 14 são apostas certas. Varsóvia ainda proporciona uma vida gastronômica e boêmia agitada, com excelentes restaurantes (servindo culinária do mundo inteiro) se espalhando pela região da Rua Nowy Swiat e baladas operando na área da Rua Mazowiecka (e também pela zona da Rua Nowy Swiat).

A nova Varsóvia
A disputa da Eurocopa realizada na Polônia em 2012 trouxe a Varsóvia novos atrativos, como o lindíssimo Estádio Nacional, hoje palco de importantes jogos de futebol e espetáculos musicais. Instalado em uma moderna edificação de vidro, aço e concreto, o Museu da História dos Judeus Poloneses, por sua vez, foi inaugurado em 2013 e abriga uma exposição multimídia de alta tecnologia, que conta a trajetória de mais de mil anos da comunidade judaica no território polonês (e que sofreu imensamente durante a Segunda Guerra). A abertura de uma nova Polônia para o mundo mostra uma combinação inspiradora de História moderna e exemplos de superação, que são percebidos imediatamente por quem chega para visitar o país pela primeira vez.

Quando ir
Maio a outubro. Da primavera até o início do outono, as temperaturas são amenas e os atrativos do país ainda mais interessantes.

 

Onde ficar
Hotel Bristol
Varsóvia

A localização do hotel é especial, na região central e próximo aos principais atrativos da cidade. Considerado uma pérola art nouveau, o Bristol tem fachada neorrenascentista e interiores com elementos art déco. As suítes de atmosfera elegante têm vistas para o Palácio Presidencial e a gastronomia, focada na culinária
polonesa tradicional, é comandada pelo chef Michal Tkaczyk.

Hotel Copernicus
Cracóvia

Reaberto depois de uma extensa renovação, o hotel combina tradição e modernidade e está localizado em uma das ruas mais belas de Cracóvia, aos pés do Wawel, o Castelo Real. Suas suítes têm vista para o castelo e o skyline da cidade. O Copernicus conta ainda com piscina indoor, biblioteca e rooftop aberto durante o verão.

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